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Quem quer, faz
Por Letícia Furtado

Sinal dos tempos

Se depender da categoria de base, o pólo aquático nacional está salvo. Graças à vários aspectos que, reunidos, estão fazendo as coisas realmente mudarem... e de baixo pra cima (cuidado pra não sentar no formigueiro, hein CBDA ;)

Na base da pirâmide, o que vejo são pais determinados, excessão feitas aos mais exaltados que atrapalham mais do que outra coisa. Pais que se comunicam, que investem e que procuram saber de fontes comprometidas com a verdade o que é melhor para os seus filhos.

Vejo também que os atletas mais jovens estão entendendo a diferença entre rivalidade e guerra. Meninos e meninos que se falam e que se encontram em ambientes diferentes do pólo, mesmo sendo de clubes diferentes. Uma nata que é culta e inteligente (vide o Bugui e seu blog do TTC), que entende o que é melhor pra eles e que dão exemplo para os articuladores das categorias de cima.

Ainda na base da pirâmide, mas não menos importante, vemos um movimento - encabeçado pelo Hélcio Brasileiro e seu blog do Ceará - onde as pessoas estão se dando ao trabalho de abrir um espaço público e sem censura, para divulgar o que cada um pensa ser o melhor. Junto com o Hélcio, estão, à título de exemplo, os blogs de pólo aquático da Bahia, Flamengo, Floripa, Joinville, Jundiaí, Paraíba, Sergipe, Pernambuco, Paineiras, Tijuca e Roraima.

E pra terminar, o termômetro do pólo nacional, que é o Forum do site, está melhorando de nível. Tem gente que entendeu, enfim, que comunicar não é fazer intriga. Não é dizer que falaram ou que deixaram de falar. Comunicar é expressar : Eu penso isso e discordo/concordo de/com você. E saber escutar.

Numa comunidade, nem sempre o que é bom pra um, é bom pra outro. Mas em pensamento coletivo deve-se por vezes deixar de lado o interesse pessoal e pensar no grupo. Por exemplo: "Será que é melhor eu tentar ganhar uma etapa do Festival Infantil utilizando um subterfúgio, ou botar todo mundo pra jogar igual" (nesse caso em particular, uma solução seria o jogo em 4 trincas fixas, com 4 goleiros volantes, como eu joguei o Mundial Master). Enfim, pra toda ocasião tem uma saída justa para o todo. E é assim que a base da pirâmide está pensando. É daí que vão sair os novos dirigentes do pólo aquático. Pais abnegados que querem realmente o melhor para o todo... e consequentemente para os seus filhos. Gustavo Borges vem aí!

Amém!


Fala Jairo, na escuta!

O Jairo Eduardo de São Paulo propôs várias coisas no fórum há algum tempo, que não poderiam ficar sem resposta:

Aí vão:

Por que o site...

1. "Não coloca de forma permanente os links para os sites de outras equipes?"

A idéia é boa.Vou falar com o chefe. Enquanto isso, vale lembrar que criar um blog é como fazer um filho. Se você não cuidar, ele morre, assim como a sua credibilidade.

2. "Idem, para as regras completas de pólo aquático, para que as equipes menores (ou qualquer atleta) tenha um referência das regras"

A CBDA nunca editou a regra oficialmente depois que eu fiz a primeira tradução oficial em 1989. Depois de muita encheção de saco da galera no site, o Werner fez a gentileza de traduzir as modificações de 2005-2009. E só. Mas até isso deve estar perdido em algum lugar no arquivo deles. Por enquanto, só acessando o link da FINA para a versão em inglês: http://www.fina.org/rules/english/water_polo.php

Tradução gratuita no: http://babelfish.altavista.com/

3. "Não procura também inserir colunas falando de preparo físico fora da água, comentado por outros especialistas? (ex.: profa. Ana Cláudia da UFSCar, que é especialista em fisiologia do exercício)"

Sem desmerecer os conhecimentos da professora e a importância da ciência no esporte, o pólo aquático precisa é da experiência de gente de fora que tenha tido resultados evidentes a médio prazo e por isso tem moral pra se pronunciar, como os espanhóis e as rússas, por exemplo. E agora até os canadenses!

Lá fora, a preparação física é integrada ao gesto desportivo. E isso, no meu entender, é condição sine-qua-non para que haja melhora efetiva do nível de jogo. Compare um corredor, com um jogador de futebol. Será que corredor que tem mais preparo específico para a corrida será automaticamente mais eficiente em campo? Não. Aquele que treina futebol sabe quando e onde aplicar o seu esforço e será melhor em campo, mesmo que não tenha os mesmos resultados do corredor em testes de corridas.

No pólo é a mesma coisa. Então, a não ser que se treine as valências fisicas em sessões quotidianas extras, o que é impossível em termos de Brasil mesmo no nível de seleção, pra mim, é imprescindível que se maximize o aproveitamento do tempo de treinamento, apurando todas as valências relacionadas ao pólo aquático, através de treino específico de fundamentos e técnicas, incluindo aí os deslocamentos de pólo aquático (nado específico e pernadas). E através disso obter o preparo físico necessário.

Na minha opinião, a menos que o especialista seja também conhecedor do esporte, E DEVIDO À NOSSA REALIDADE EM PARTICULAR, contratá-lo ou mesmo divulgar o seu trabalho, será trabalho, tempo e dinheiro mal aproveitados. Um bom diploma de educação física nas mãos de um técnico de experiência e que corre atrás de reciclagem valem muito mais! Mais ainda se supervisionado por um estrangeiro que já mostrou serviço.

"4. Fazer reportagem do histórico de equipes como AMAN, Escola Naval, USP/UFSCar, Floripa"

Disse e repito, as portas estão abertas a quem quer que queira divulgar o seu trabalho. Tudo o que é enviado ao site é divulgado, guardadas as devidas proporções evidentemente. Agora, um site gratuito que só trabalha com voluntários, não tem como cobrir todo o Brasil sem o mínimo de colaboração local e regional.

Parabéns ao Aleminha, mas em que lugar da internet podemos recolher os dados da liga que ele organiza? O site é virtual e colhe informações nessa mídia. E você Jairo, já que sabe de tanta coisa extra-oficial de São Paulo, porque não se informa e manda os releases pra gente? Ou então cria o seu próprio blog pra gente poder consultar?

"5. Divulgar - de forma permanente - um informativo dos clubes no Brasil que dispõe de pólo aquático, com horário de treinos e contatos"

Você já deu uma olhada nos próprios sites desses clubes? Fora o Blog do Ceará, e do TTC , poucos atualizam com frequência e precisão.

"Tudo coisa simples, basta planejar e fazer... e a contribuição seria um grande serviço à comunidade do pólo Brasil…"

Seria simples se cada um desse um pouco do seu tempo pra divulgar as informações. Mas quase ninguém faz. Sabe a velha estória dos 5 funcionários pra torcar uma lâmpada. Esqueci de dizer que tem 5 outros que fiscalizam pra ver se a rosca entrou direitinho... É fácil falar o que seria bom. Eu pessoalmente já tentei inúmeras vezes estabelecer contatos e solicitar a continuidade dos mesmos. Sempre obtenho resposta sobre um evento que eu descobri por acaso e mando pra redação. Mas depois disso, as pessoas somem ou esquecem que o mundo virtual tem muito a ajudar no real!


Treinar agora... e depois?

Em 09/11 o internauta- ip: 201.53.17.155, pseudônimo ATLETA disse : "Cara Letícia, você pode até saber pesquisar ..mas não sabe argumentar nem co-relacionar as realidades. Se você ganha 1500 U$canadenses e se dedica anos na seleção, ao sair, você será altamente reconhecido por empresas e pelo país...conseguindo um futuro decente . Já a realidade brasileira é diferente, se você ganha 1500 reais , ao sair da seleção, mesmo com uma medalha OLÍMPICA, você não tem prestígio e arrisca o seu futuro!!! Portanto, não tem comparação..."

Aceito a crítica , mas não entendi o seu comentário. O tem à ver o fe-o-fó com as calças. Na minha última coluna, eu mencionei que o suporte financeiro recebido no Canadá e no Brasil são equivalentes e que os resultados esportivos são diferentes. Não falei de aposentadoria, nem de reconhecimento de atleta.

Mas você tem uma certa razão. Quem é medalhista internacional no Canadá é mais reconhecido do que no Brasil. Isso porque a imprensa tem mais interesse em divulgar as coisas. Talvez porque o Canadá é um marasmo mesmo e falta assunto ;)... Voltando ao sério, e pra completar, esse reconhecimento não significa que o futuro está garantido. Cada um tem que correr atrás como pode. E para tal, no Canadá existe uma associação (Association of Canada’s Natinal Team Athletes), organização não governamental mas com financiamento oficial, que cuida dos atletas de elite do país e também da "aposentadoria" como atleta. Ela não dá dinheiro, mas o suporte profissional necessário para que o alteta possa programar a sua carreira esportiva e pós-esportiva, evitando casos como o do Jesus Rolan que teve depressão profunda seguida de suicídio.

Veja o link para maiores informações: http://www.athletescan.com/Content/EAL/5%20Additional%20Issues/55%20Retiring%20Athletes.asp

Vale lembrar que a Associação não é uma inciativa governamental. Apenas foi reconhecida e ganhou suporte oficial após a sua criação. Portanto, se você está tão preocupado assim, junte-se a outros e mãos à obra. Quem sabe o COB não adota vocês?


Vem aí os vinculados FAP

Como já foi divulgado no site, a Federação Paulista resolveu criar em 2007 a categoria vinculada. Ela promete às equipes vinculadas de beneficiar dos mesmos serviços das entidades e atletas filiados, ou seja, recebe convites para participar de cursos, clínicas, torneios e campeonatos específicos. Compete com arbitragem profissional, premiação, organização e sistema informatizado com resultados pela Internet. A idéia é minimizar os custos para as equipes de segunda divisão de qualquer esporte aquático, com uma taxa única de R$ 50,00 por mês.

Estou um pouco cética quanto ao desenvolvimento do pólo aquático fora da capital de forma oficial. Muita coisa tem sido feita, mas nada é divulgado pela FAP. Além disso, quem é que vai pagar R$50 por mês se ainda não existe um calendário de segunda divisão.

Espero que a FAP tenha o bom senso de aproveitar o que já existe de forma oficiosa como é o caso da iniciativa do Alexandre Pflug, do Paineiras que conseguiu tocar uma liga independente, reunindo times universitários e clubes no estado de SP, com calendário para todo o ano.

Manda-chuvas Fapeanos, SVP, cuidado pra não querer fazer competição e acabar com a frágil estrutura já existente, impondo sanções, como foi o caso para certas equipes tinham a intenção de participar do finado Circuito Revista PoloAquático.com. E também adapte o formato « vinculado » para o pólo aquático, que não tem NADA a ver com a natação!


Desculpa esfarrapada ou falta de implicação

O internauta identificado por Matuzalem, que presumo seja infantil, reclamou que a FARJ marcou jogo no domingo, quando era feriado na segunda, não podendo jogar porque iria viajar com o pai.

Meu querido, com 12 ou 13 anos você tem condições de passar 3 dias em casa sozinho (comida congelada está aí pra isso mesmo). Eu fazia isso pra não perder compeonato nos meus velhos tempos. Todo mundo viajava e eu ficava no Rio. Na pior das hipóteses, na casa da minha avó.

Portanto, ou você conversa sobre isso com os seus pais ou você é daqueles que espera tudo cair do céu e vai passar a vida do lado dos reclamões do Fórum. Mãos a obra que ainda está em tempo. Comece a sua adolescência mostrando porque você quer e pode fazer o que é melhor pra você. Afinal, o esporte é a única coisa que pode salvar um criança desse período ingrato da vida, quando a gente pensa que sabe tudo, mas ainda tem muito o que aprender.