. Colunas

Precisões interativas
Por Letícia Furtado

Tamanho não é documento

Em 23/09 o internauta ip: 200.216.153.1 comentou que a seleção 89 será uma das maiores que o Brasil já teve. ("Pelo menos 3 na casa dos 2 metros"). Gostaria de lembrar, que os brazucas mais bem sucedidos mundialmente não são tão grandes assim :

Kiko Perrone 1,80
Felipe Perrone1,83
Tony Azevedo 1,85
Alexandra Araújo 1,66

Tem também os estrangeiros Manuel Estiarte, da Espanha nos anos 80 (1,70) e Tania di Mario, da Itália (1,67). Dois nomes que não deixam dúvida que tamanho realmente não é documento!

No meu entendimento, com a escassez de material humano que temos, todo cuidado é pouco com esse tipo de comentário discriminatório. Ninguém pode pensar que porque não tem altura, nunca terá chances de chegar longe.

Masculino e feminino

Gostaria de informar mais uma vez que somos todos voluntários no site. E desde 2004 só temos uma pessoa que investe realmente nesse trabalho. Infelizmente o seu trabalho e a sua escolha pessoal fazem com que o feminino seja coberto com mais frequência. Quem quiser fazer o mesmo para o masculino, as portas estão abertas. Abertas, não... escancaradas! Mandem os releases para poloaquatico@poloaquatico.com.br e parem de reclamar sem agir!

Nada é por acaso

"A seleção brasileira masculina treinará neste fim de semana no Rio de Janeiro. No sábado, a partir das 8 horas, o grupo fará testes e exames (ergométricos, espirométricos, etc) na ABBR (Associação Brasileira Beneficiente de Reabilitação)" (fonte: CBDA)

Tomara que reabilitem todos!

Nosso mundinho

Muito bem colocado pelo internauta ip: 200.211.194.4 em 18/10 “Caramba, é tão obvio que o reporter do site faz estas comparações para dar pilha e motivar esta modalidade tão carente de discusões e idolos, mesmo assim tem gente que fica questionando ou achando que ele acha que tem semelhanças. Eta."

Enfim alguém que pescou alguma coisa! Mesmo se, pessoalmente, acho que algumas comparações são exageradas.


Enquanto isso na Itália

O jogo já não está mais no arquivo da RAISport, mas vale deixar registrado o que foi dito durante o jogo feminino do europeu entre Itália e Grécia (4/9) aos 54''''''''40" de jogo.

O narrador falava das estrangeiras que já passaram pela seleção italiana, no sentido que elas aumentam o nível do grupo. Então falaram da Cris Pinciroli no passado, além da Ale Araújo e Andrea Toth (húngara) na seleção olímpica. Fiquei super surpresa e feliz pela valorização do passado da esquadra italiana. E principalmente pelas brazucas que fizeram sucesso por lá. Recordar é viver !

Ranço brasileiro

O intenauta Rodrigo perguntou no fórum: "Gostaria de saber que poderes o técnico da seleção tem? Qual a autonomia de seu trabalho? Qual o planejamento remetido ao mesmo, quando empossado do cargo? Poderá ele convocar jogadores após dois meses do começo dos treinos? O que é permitido e o que não é ao técnico?"

Seu comentário me faz lembrar a piada que o meu irmão me contou uma vez: "Sabe quantos funcionários públicos são necessários para se trocar uma lâmpada no teto da repartição? 5: 4 pra rodar a escada e 1 pra segurar a lâmpada no bocal".

No Brasil, infelizmente, o técnico da seleção praticamente só dá o treino. Um pouco por comodismo e um pouco por falta de competência. Como sempre foi assim, o pobre professor (isso quando ele tem realmente o diploma de educação física exigido por lei federal) não sabe nem por onde começar nessa parte de cronogramas, distribuição de verbas e organização de infra-estrutura para o programa nacional etc. Por isso a importância de fazer intercâmbio ou trazer gente de fora pra supervisionar e ensinar como se faz no primeiro mundo.

Carlinhos nu e cru

Outro dia, o Carlinhos concedeu uma longa entrevista ao site do polo aquático Ceará, onde falou de temas polêmicos como a demissão, os culpados da estagnação do esporte, o "pacto de mediocridade", a falta de estrutura etc.

Não quero aqui atiçar esse fogo, que já está mais do que forte com a solicitação da retirada da íntegra da entrevista do site, mas simplesmente destacar os pontos mais marcantes que ratificam tudo o que já foi dito aqui em outras entrevistas e colunas.

Só que dito pela sumidade que ele é, acho que talvez seja mais fácil de ser ouvido pelas autoridades competentes. Faço isso pelo pólo aquático brasileiro e respeitando as leis sobre direitos autorais, já que identifico a fonte (Carlos Carvalho em entrevista ao site Pólo Aquático Ceará) e utilizo aspas nas citações.

Sobre a infra-estrutura:

"Primeiro, temos que ter um plano de desenvolvimento nacional para, então, partirmos para os setoriais. É preciso programar melhor nossos calendários. É preciso, ainda, que nossos atletas estejam em atividade o ano inteiro. Não dá mais para jogar um campeonato de quatro dias e, somente três ou quatro meses depois, outro evento nos mesmos moldes."

Sobre ídolos:

"Outro ponto muito importante é o fato de não termos ídolos. O Pólo Aquático precisa ter um ou mais atletas com quem o público se identifique - atletas que sejam referências não só para o público, mas também para a mídia.

Quem estava começando a ocupar este espaço era o Kiko, e os resultados estavam sendo bastante satisfatórios".

Sobre os responsáveis pelo desenvolvimento:

"...não se pode esquecer, que a CBDA e, conseqüentemente, a Seleção são a última parte da pirâmide. Temos que ver se os clubes fazem o possível para o Pólo Aquático crescer. Se não fazem, o que podemos fazer para melhorar? E as federações, fazem o seu papel? Se não fazem, o que podemos fazer para mudar? Atletas, técnicos, dirigentes e árbitros, o que podem fazer para melhorar o nível do nosso esporte. A Confederação e a Seleção têm que andar junto com todos esses segmentos. Não podem ser a solução dos problemas e nem se ausentar das discussões.

É preciso planejar, oficializar convites com prazos hábeis para que sejam aceitos, investir com o orçamento que temos, tentando fazer o máximo. Aqui no Brasil temos muito a nosso favor, bom clima o ano inteiro, hospedagem e alimentação com custos acessíveis, ente outros fatores que, bem projetados, concorrem como pontos positivos".

Sobre o organograma da Confederação:

"...acho que a Confederação deveria fazer uma reformulação da estrutura do Pólo Aquático na entidade. Procurar se profissionalizar, dentro do possível, ao máximo. Descentralizar um pouco a modalidade. Penso que deveriam ser criados departamentos que se ocupassem de funções específicas. Que planejassem, apresentassem e executassem projetos na área, por exemplo:

1 - Porque não criar um ‘Departamento de Seleções’? Contratar um profissional que ocupe o cargo de supervisão – com a função de organizar os treinos das Seleções, dar suporte administrativo e técnico, receber e manter contato com as seleções de outros países, entre outras.

2 – Porque não termos um ‘Departamento de Eventos e/ou de Campeonatos’? Contratar um profissional da área para cuidar de todos os campeonatos nacionais. Organização, estrutura, planejamento. Apresentação de relatório sobre o evento, entre outras coisas.

3 – Porque não ter um ‘Departamento de Arbitragem? Um departamento não só responsável pela escalação dos árbitros, mas que também tivesse condições de avaliá-los nos campeonatos, de promover cursos de atualização, visando sempre a qualidade e o aperfeiçoamento dos mesmos. Além de acompanhar e monitorar o treinamento, o interesse deles em progredir e evoluir. Existe a necessidade de aumentar o quadro de arbitragem no Brasil".

Sobre divulgação dos jogos :

"Gostaria, inclusive, de dar e deixar registrada aqui uma sugestão para a CBDA, que já poderia ter sido usada no Troféu Brasil, inclusive por que o mesmo foi realizado no Maracanã, onde fica a sede da entidade: a transmissão on line dos jogos de Pólo Aquático, de todos os eventos nacionais, através do site da instituição. Isso, como eu disse, já poderia ter sido feito neste Troféu Brasil. Agora, há uma chance boa de estrear o link; durante a Eliminatória do Mundial, que será realizada no Rio de Janeiro, também na piscina do Maracanã.

Desta forma, o Brasil inteiro poderia assistir. Técnicos poderiam gravar os jogos. Enfim, seria uma grande ajuda no desenvolvimento do esporte.

Depois do evento, a idéia é deixar as gravações disponibilizadas no site, para quem não tiver a possibilidade de assistir ao vivo. Recentemente, a FINA fez isso nas finais da Liga Mundial".

Pra terminar, acrescento que a íntegra da entrevista pode ser lida no link http://www.poloaquaticoceara.blogspot.com/, no post de quarta-feira, 11 de outubro.

Carlinhos, não me leve a mal. A sua entrevista esta estupenda! Um grande abraço pra você, e beijos pra Cris e pras meninas.