O Brasil no Pan
Por Carlos Bacellar
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O termo que melhor define a campanha da seleção brasileira de pólo aquático no Pan é superação. Devo confessar que eu era um dos incrédulos que, antes da competição, acreditava que o Brasil disputaria o bronze, na melhor das hipóteses. Logicamente, o meu coração foi e sempre será brasileiro. Mas, se fosse para apostar meu dinheiro, as verdinhas não iriam para a minha, a sua, a nossa bandeira (fazer o quê? negócios são negócios). Mas nem cheguei a queimar minha língua (só disse o que eu pensava para o meu cachorro, assim, não correria o risco de agüentar as gozações, caso eu errasse, como de fato veio a acontecer).
Foi só ver a garra dos atletas, muitos deles meus amigos (pelo menos de minha parte), desde o primeiro momento, que minha opinião mudou de 8 para 80. O ouro, e, conseqüentemente, uma vaga pra Pequim, não eram objetivos impossíveis. Partida após partida, os adversários iam tombando frente à nossa seleção. Destaque para os atletas Felipe Franco e Gabriel Reis, com atuações irrepreensíveis. Também não posso deixar de comentar o excêntrico corte de cabelo do meu camarada Shalom, outro destaque no Pan. Acabou sendo um talismã para a seleção, assim como os bigodes de Giba, no vôlei, e o corte "Cascão" de Ronaldinho, no futebol. Só espero que a moda não pegue.
Além da seleção, quem também deu espetáculo foi a torcida. Nunca vi tanto público em jogos de pólo aquático. A vibração das pessoas apaixonadas que compareceram ao Parque Aquático Júlio Delamare contagiou nossos atletas, que corresponderam dentro d'água. Era engraçado ver nossos "guerreiros" concedendo entrevistas ao final de cada partida, maravilhados com a quantidade de torcedores que compareceram para prestigiar a equipe. Nunca antes na história desse país... A arquibancada virou um verdadeiro caldeirão.
Em determinado momento da partida final, numa tomada da arquibancada, vi um torcedor - além das belas torcedoras - com um cartaz que dizia o seguinte: A prata é dourada. Disse tudo. Quem conhece e gosta de pólo aquático entende o significado dessa medalha para o esporte. A vitória contra a equipe dos EUA, que, se não estou enganado (me corrijam, por favor), ficou em 9º lugar no último mundial, era praticamente impossível. O segundo lugar foi uma vitória. Se nós tivéssemos as mesmas condições oferecidas à equipe norte-americana, nós com toda certeza os suplantaríamos.
Não tive a oportunidade de ver os jogos in loco (infelizmente). Como muitos torcedores, não consegui comprar ingressos (confesso que não fiz muita força...). Desta vez, fui o verdadeiro torcedor Seleção Brasileira/NET (felizmente o Júlio Delamare era dos NETs!). Mesmo assim, não deixei de transmitir boas vibrações para o time. Eu e toda família Bacellar, torcedores apaixonados!!!
Apesar da falta de incentivo, dos problemas que o esporte amador enfrenta no país, e de uma série de outras questões que tornam complicada a profissionalização (e tudo que vem com ela) da modalidade, os atletas brasileiros - que não vivem do esporte, mas para o esporte - conquistaram uma medalha que parecia improvável. Esse é o melhor sinal de que existe esperança. De que, apesar de tudo, temos que ser sempre mais Brasil!
E, como disse o meu amigo André Cordeiro, vulgo Pará, goleiro titular, que possivelmente jogou sua última competição pela seleção, sonhar é preciso. Eu continuo sonhando. Parabéns a todos os atletas e a toda equipe técnica da seleção. Sensacional rapazes, sensacional!
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