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O pólo aquático brasileiro
Por Carlos Bacellar

Olá estimados leitores. Primeiramente quero desejar um maravilhoso 2007 para todos. Muita paz, saúde, sexo e dinheiro no bolso, que são as coisas que realmente interessam. Venho me recuperando da ressaca de fim de ano. Ainda estou meio tonto, mas vou tentar fazer o meu melhor. Estou numa fase de literatura brasileira (graças a Deus!). Antes tarde do que nunca. Procuro descontaminar minha alma dos produtos oferecidos pela indústria cultural. Neste período, nada melhor do que aproveitar os textos do nosso estimado Darcy Ribeiro. Antropólogo, ensaísta, romancista, político e imortal da Academia Brasileira de Letras, Darcy Ribeiro nasceu em Montes Claros (MG), em 1922. É autor de, entre outros, O processo civilizatório (1968), Os índios e a civilização (1970), Maíra (1976), O mulo (1981), Utopia selvagem (1982) e Migo (1988). Ninguém traduz o Brasil como ele.

Estou lendo a obra O povo brasileiro: A formação e o sentido do Brasil. O livro conseguiu algo muito difícil... Me fez pensar. Venho refletindo sobre questões que envolvem o nosso país. Mas vamos deixar minhas divagações de lado. O que interessa para nós é o pólo aquático e a mulherada, porque ninguém é de ferro. Além do mais, quem tentar entrar na minha cabeça está perdido. Funciono em modo altamente não linear, como vocês já puderam perceber. Nem eu mesmo me entendo. Quem sabe um dia... Tenho me esforçado.

Voltando... Na língua do livro, uma questão é levantada: Por que o Brasil ainda não deu certo? Vou parafrasear o autor da questão perguntando o seguinte: Por que o pólo aquático não dá certo no Brasil? Muitas figuras proeminentes do esporte tentam responder isso há anos. Particularmente não faço a menor idéia do por quê. Sempre estive preocupado em nadar pouco, jogar muitos coletivos e ficar sarado para exibir meu corpo esbelto no Posto 10 em Ipanema. Tudo o mais não tinha muita importância. Como ainda não consegui ficar sarado, tenho me escondido no Leme em dias de sol.

Vocês devem estar pensando o que eu pretendo levantando essa questão. Nem eu sei... Escrevo de improviso. Cada artigo é uma nova surpresa. Isso que torna tudo maravilhoso. Quem sabe no final desse texto não chegamos a alguma conclusão que preste? Se não conseguirmos, teremos “pano para a manga” em outros materiais futuros (se eu não for demitido do site antes).

Dêem uma olhada nesse trecho retirado do livro do Darcy, que retrata o choque entre duas civilizações completamente diferentes, na época do descobrimento:

“Para os que chegavam, o mundo em que entravam era a arena dos seus ganhos, em ouro e glórias. Para os índios que ali estavam, nus na praia, o mundo era um luxo de se viver. Este foi o efeito do encontro fatal que ali se dera. Ao longo das praias brasileiras de 1500, se defrontaram, pasmos de se verem uns aos outros tal qual eram, a selvageria e a civilização. Suas concepções, não só diferentes mas opostas, do mundo, da vida, da morte, do amor, se chocaram cruamente. Os navegantes, barbudos, hirsutos, fedentos, escalavrados de feridas de escorbuto, olhavam o que parecia ser a inocência e a beleza encarnadas . Os índios, esplêndidos de vigor e de beleza, viam, ainda pasmos, aqueles seres que saíam do mar”.

Está na hora de deturpar a visão do nosso antropólogo em prol das minhas loucuras. Analogia pra que te quero. No pólo aquático nacional os atletas não sentem o “choque” ao mergulhar em piscinas sem aquecimento no inverno. O duro é se dedicar ao esporte amador e não ter o retorno desejado. A falta de incentivo é um desestimulante. Viver do esporte aqui é profissão de risco, infelizmente. Não vou fazer proselitismo dizendo que o Governo precisa investir nisso e naquilo e blá, blá, blá. O esporte amador nacional precisa receber uma carga de 1.000.000 de Watts, indiscutivelmente. Todos sabemos disso. Torço sinceramente por um 2007 de grandes realizações. O Pan está aí. Espero que as iniciativas não sejam somente maquiagem para gringo ver. Aproveitando ainda o trecho do livro, não preciso nem mencionar quem representa a feiúra dos navegantes portugueses e quem simboliza a beleza dos índios. Viva o esporte amador brasileiro! Quem desembarca em nossa terra sempre fica fascinado. Os estrangeiros ficam intrigados. Como podemos fazer muito com tão pouco? Vou continuar procurando os segredos do Brasil na literatura de Darcy Ribeiro.

E pensemos positivo. Se tudo der errado ainda teremos as praias. Praia é de graça. Local que podemos ir mesmo duros, e ficar duros (adoro trocadilhos infames). Se eu conseguir ficar sarado até o final do ano darei o ar da graça em Ipanema.

Um abraço do colunista que... Ah, vocês sabem. Não gostei muito desse artigo. Teve muito pouca sacanagem... O próximo será mais picante. Inté!