Táticas de marcação – Zona 1 e 2 e Zona 2 e 3
Por Ricardo Perrone
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Marcação por Zona 1 e 2
A marcação por Zona 1 e 2 é a mais usada no Brasil. A razão disso é que há muito tempo, desde que o Eric Borges parou, não temos um canhoto com um chute realmente perigoso colocado na posição 1. É possível que isto se modifique a curto prazo, pois diversos jogadores das categorias de baixo vêm subindo de produção e melhorando a qualidade de seu chute, mas, até agora, esta é a marcação por zona preferida de quase todos os clubes.
A figura abaixo mostra a configuração típica da Zona 1 e 2, com os defensores das posições 1 e 2 avançando ou recuando conforme a bola esteja ou não com o atacante que deve marcar. Da mesma forma que no artigo anterior, na Figura 1, os atacantes são representados pelos números correspondentes a sua posição, os defensores por cruzes e a movimentação por meio de setas.
Alguns detalhes importantes nessa marcação:
1 - Os atacantes das posições 3, 4 e 5 não podem nunca receber uma bola limpa que lhes permita passar de primeira para o centro, que está desprotegido desse lado. Ou seja, é fundamental que o defensor impeça o passe ou, no mínimo, faça a falta para dar tempo da defesa se organizar.
Figura 1

2 - Se o ataque conseguir colocar a bola na posição 4 ou 5, mesmo com o defensor fazendo a falta, será necessário abandonar a defesa 1 e 2 e mudar para outra marcação, pelo menos até que a bola volte para a posição 1 ou 2. Esse comando de mudança de sistema defensivo deve ser dado pelo marcador de centro ou pelo goleiro. É importantíssimo que este outro tipo de zona esteja pré-determinado, para que não haja o passe em linha reta para o atacante da posição 2 ou 1. Veja, no exemplo da figura 2, a movimentação correta dos defensores para passar para uma zona em M, por exemplo. Figura 2

3 - Os marcadores dos atacantes de 2 e 1 devem partir imediatamente para a marcação quando o atacante receber a bola. É comum ver defesas em que o marcador apenas levanta o braço, sem ir para cima do atacante. Isto só é válido quando o atacante da posição 1, incorretamente, deixa a linha dos 2m e sobe para a linha de 4 ou 5m, sob a alegação de "buscar ângulo". Como pode ser visto na figura 3, o defesa pode fechar facilmente o canto esquerdo do gol e impedir ao mesmo tempo o passe para o centro, além do ataque adversário ficar completamente torto e embolado. Nos demais casos, isto é, estando a bola com o atacante da posição 2 ou com o da posição 1 corretamente colocado sobre a linha dos 2m (ou pior ainda, levando a bola para a linha de fundo e tirando o impedimento), é necessário que o defensor parta imediatamente para cima, pois com o goleiro voltado para o atacante, qualquer corta-luz dos atacantes das posições 3, 4 ou 5 possibilitará o passe de primeira para o centro ou um chute com o goleiro em movimento.
Figura 3

4 - Um outro erro comum da defesa é quando o marcador do atacante da posição 5, sabendo que é difícil a bola ser passada para ele quando está com o atacante da posição 1 ou 2, relaxa na marcação e se coloca entre o atacante e o gol e não mais à frente, como mostrado nas figuras anteriores. Este erro é o que possibilita uma das jogadas mais utilizadas no ataque contra a zona 1 e 2, que é a movimentação do atacante da posição 5 paralela à linha de fundo, indo colocar-se como segundo centro em ótima posição para receber a bola do atacante da posição 2, como mostra a figura 4. Por esta razão, é fundamental que o marcador da posição 5 se coloque sempre ligeiramente à frente do atacante, em relação à linha de fundo, como mostrado nas figuras anteriores.
Figura 4

Marcação por Zona 2 e 3
É uma defesa muito semelhante à zona 1 e 2, aplicando-se praticamente todas as observações acima, com a diferença que a movimentação é feita pelos marcadores das posições 2 e 3, o que, para o time atacante, torna um pouco mais fácil o passe para o centro e o chute de fora. Normalmente é utilizada quando o time atacante dispõe de um bom canhoto ou quando o atacante da posição 1 é um destro de habilidade excepcional. Se tiverem gravado os jogos da Olimpíada, reparem como todos os times marcam em cima os canhotos da Hungria e o jogador número 5, destro, da Grécia (Chatzi Theodorous) quando cai na posição 1.
Para usar essa defesa, é preciso ter um bom goleiro e que os defensores tenham boa perna e excelente senso de colocação, de forma que, ao mesmo tempo que avancem para o atacante, consigam fechar o canto direito do goleiro (no caso do marcador da posição 3) ou o esquerdo (no caso do marcador da posição 2) para que o goleiro fique preparado apenas para os chutes cruzados ou no meio do gol.
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